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quasenunca Atualizo só de vez em quando |
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Hj vou por 2 textos
Hj resolvi por 2 textos. Ai vai:
Quem inventou a corrupção? (Millôr Fernandes)
Fica frio, amigo, não foi o brasileiro o inventor da corrupção. Baseado no mais profundo ensinamento da minha religião; a corrupção começou no Princípio dos Princípios, justamente no Jardim do Éden. Quando os dois proto-Safados, corrompidos pela Serpente, desrespeitaram a Lei do Senhor e comeram o Fruto da Ciência do Bem e do Mal, o desrespeito espantoso ficou conhecido como A Queda. Mas não passou assim pelo Todo (como era conhecido o Todo Poderoso) que condenou os três culpados por uso indevido de bem público e formação de quadrilha. Logo o Anjo Gabriel, executor das ordens do Supremo, expulsou Adão e Eva do Paraíso, obrigando-os a viver na periferia, a Leste do Éden. Mas a Serpente, misteriosamente, nunca foi punida.
Escrito por hkotsubo às 19h12
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Mais um texto do Verissimo
O Que Fazem os Vagalumes de Dia Luis Fernando Verissimo
- Pa-ô-la (desde o começo ele a chamara assim, como se o nome dela fosse espanhol), este nosso caso... - Que caso? - Nós não estamos tendo um caso? - Que idéia, Dan! Ele se chamava Daniel. - Se nós não estamos tendo um caso, estamos tendo exatamente o quê? - Sei lá, mas caso não é. - Pa-ô-la... - Caso é assim uma coisa clandestina. Adultério. Precisa ser casado. - Acho que quando tem sexo no meio, é caso. Independente do estado civil. - Que idéia! Nada disso. O que nós estamos tendo é um namoro. - Não. Namoro eu conheço. Não é namoro. - Então é amizade. Só porque a gente dorme junto não pode ser amizade? - Pa-ô-la. Há sete meses nós só dormimos um com o outro. Nos vemos todos os dias. Andamos abraçados na rua. - Então. Uma boa amizade. - Comemos sorvete de casquinha com a mesma colher, Pa-ô-la. - E daí? - Em certas sociedades primitivas, comer sorvete de casquinha com a mesma colher vale mais do que pacto de sangue. - Não vem. - E o que você diz quando você está tendo um... - Eu sei o que eu digo! - “Dan, Danzinho, amor, vida, paixão.” - É a emoção, ora. Nessas horas a gente diz qualquer coisa. Uma amiga minha grita o nome de todos os apóstolos. E você, que quando me vê só falta chorar? Mesmo que a gente tenha dormido junto na noite anterior. Oito horas sem me ver e faz um escândalo. - Mas eu estou tendo um caso com você. Um caso muito bonito. Pena que você não esteja participando dele. - Não vem, Dan. - Não. Tudo bem. Somos apenas bons amigos. Onde está escrito “Dan, Danzinho, amor, vida, paixão”, leia-se “Ai que bom”. - Está certo. Não é amizade. Mas não é caso. - Romance. - Também não. - Um espasmo. Um descontrole hormonal. - Pára. - Uma história. - Isso. Uma história. Está rolando uma história entre nós. - Que tipo de história? - Como, que tipo? - Cômica, séria, trágica... Acaba como? - E eu sei? - Só pra minha orientação. - Por que isto, de repente? Por que esta preocupação? Estamos tendo um ca... uma história legal, sem grilo... - Mas nós não sabemos o que é. Você não tem necessidade de saber o que está acontecendo com você? - Pra quê? Deixa acontecer. - Imagina se esta história acaba num crime. Tudo que está acontecendo agora ganha outro significado. Nós podemos estar vivendo o prólogo de uma tragédia sem saber. Se a gente soubesse o que é, e como acaba... - Ah, é? Se eu soubesse que você ia me matar no fim, sabe o que eu fazia? Matava você agora. Rá, rá. Mudava o fim. - Exatamente! Nós precisamos saber o que está nos acontecendo para agir conscientemente, para aproveitar melhor a história e até mudá-la. - E, mesmo, você é incapaz de matar uma mosca. - Mas você não me viu com mosquitos. - Quer saber de uma coisa? - Uma vez, quando eu era guri, desmembrei uma formiga. Você não me conhece. - Me ouve. - E se esta história acaba em casamento? Filhos, essas coisas. Hein? E se acaba em almoços de Domingo e planos de saúde? Nós precisamos saber no que estamos nos metendo! - Sabe que eu acho que vou mesmo matar você? Assim você fica sabendo o fim e pára de chatear. - Pa-ô-la... - Taí. É um conto. - Um conto?! - Daqueles que começa no meio de um diálogo, não acontece nada e termina no ar. Ninguém fica sabendo o que vai acontecer depois. - Não faz isso comigo, Pa-ô-la. - Com um título que não tem nada a ver com nada. - Um conto, Pa-ô-la? Isto é só um conto? Um naco de história? Um diálogo perdido? Um...
Escrito por hkotsubo às 18h41
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