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quasenunca Atualizo só de vez em quando |
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O que eu pediria ao diabo
Luís Fernando Veríssimo
A lenda de Fausto e do seu pacto com o Diabo foi usada por escritores como Goethe e Thomas Mann, e pode ser interpretada de várias maneiras. Fausto simbolizaria a ambição humana pelo poder em confronto com Deus e o Destino, ou o espírito humano disposto a desafiar a Natureza e a danação eterna pelo conhecimento. De qualquer jeito, é o mito inaugural do homem moderno, o que sacrificou sua alma para ter a Ciência. E é revivido cada vez que alguém precisa decidir, mesmo metaforicamente, se aceita ou não negociar a alma com o Diabo. Ou que alguém apenas imagine como agiria na mesma situação. Eu, por exemplo, já pensei muito no que pediria ao Diabo em troca da minha alma. Já que não quero nem poder, nem glória, nem, na minha idade, loiras ilimitadas. O que seria? Não, não pediria Sabedoria, nem domínio sobre o Tempo e o Espaço. Pediria, para começar, que a minha mala fosse sempre a primeira a aparecer na esteira, no aeroporto. — O quê?! — diria o Diabo. — Quero que a minha mala seja sempre... — Eu ouvi. Só não acreditei. Você tem certeza que é isso mesmo que quer? Em troca da sua alma? — Para começar. — Pense no que está fazendo! É a sua alma, a sua eternidade, que você está me entregando. E em troca quer essa... Essa mesquinharia?! — Mesquinharia? Pra você. Minha mala nunca — nunca! — é a primeira a aparecer na esteira. Isso é uma aberração estatística. Pelo menos uma vez ela poderia ter aparecido, mas nunca aconteceu. Quero ter a felicidade de ver a minha mala aparecer na esteira do aeroporto na frente das outras. E não uma vez. Todas as vezes! — Você não quer conhecer os segredos da Matéria e do Universo? Você não quer todos os poderes do mundo? — Quero um poder só. — Qual? — O de poder abrir celofane de CD com a unha. — Como é? — Quero o poder de arrancar o celofane que envolve os CDs usando só a unha, sem precisar recorrer a tesourinhas, facas ou dentes, rapidamente e na primeira tentativa. — Está bem — suspira o Diabo. — O que mais? — Preciso pensar um pouco. O que mais? Ah, sim. Cartilagem de galinha. O Diabo não consegue mais nem falar. Me manda prosseguir com um gesto desanimado. — Não quero mais ter a surpresa de morder uma cartilagem de galinha, frango ou galeto. Nunca mais. Pelo resto da vida. O Diabo parece estar a ponto de desistir, de mim e da minha alma. Ele deveria ter previsto isto, quando eu o convenci a aceitar minha assinatura no contrato com Bic vermelha em vez de sangue. Mas o contrato está assinado e tem que ser honrado. — Que mais? — pergunta o Diabo, de olhos fechados. — Vaga em estacionamento de shopping. Sem precisar rodar muito. Para sempre. — Tá bom. Que mais? — É isso. O Diabo abre os olhos. Tenta, pela última vez, dar um significado maior ao nosso encontro, ou um valor maior à sua compra. — Tem certeza? Você não quer que eu lhe revele a Razão e o Objetivo da Existência? — Tá doido. — Não quer nada mais em troca da sua alma? Nenhum outro saber que a maioria dos mortais não tem? — Nenhum. Mas aí me ocorre outro. — Ah, sim. Quero saber acertar o timer do videocassete! E então o Diabo desiste. Concluindo: não há mais Faustos como antigamente
Escrito por hkotsubo às 20h01
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Hj vou por 2 textos
Hj resolvi por 2 textos. Ai vai:
Quem inventou a corrupção? (Millôr Fernandes)
Fica frio, amigo, não foi o brasileiro o inventor da corrupção. Baseado no mais profundo ensinamento da minha religião; a corrupção começou no Princípio dos Princípios, justamente no Jardim do Éden. Quando os dois proto-Safados, corrompidos pela Serpente, desrespeitaram a Lei do Senhor e comeram o Fruto da Ciência do Bem e do Mal, o desrespeito espantoso ficou conhecido como A Queda. Mas não passou assim pelo Todo (como era conhecido o Todo Poderoso) que condenou os três culpados por uso indevido de bem público e formação de quadrilha. Logo o Anjo Gabriel, executor das ordens do Supremo, expulsou Adão e Eva do Paraíso, obrigando-os a viver na periferia, a Leste do Éden. Mas a Serpente, misteriosamente, nunca foi punida.
Escrito por hkotsubo às 19h12
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Mais um texto do Verissimo
O Que Fazem os Vagalumes de Dia Luis Fernando Verissimo
- Pa-ô-la (desde o começo ele a chamara assim, como se o nome dela fosse espanhol), este nosso caso... - Que caso? - Nós não estamos tendo um caso? - Que idéia, Dan! Ele se chamava Daniel. - Se nós não estamos tendo um caso, estamos tendo exatamente o quê? - Sei lá, mas caso não é. - Pa-ô-la... - Caso é assim uma coisa clandestina. Adultério. Precisa ser casado. - Acho que quando tem sexo no meio, é caso. Independente do estado civil. - Que idéia! Nada disso. O que nós estamos tendo é um namoro. - Não. Namoro eu conheço. Não é namoro. - Então é amizade. Só porque a gente dorme junto não pode ser amizade? - Pa-ô-la. Há sete meses nós só dormimos um com o outro. Nos vemos todos os dias. Andamos abraçados na rua. - Então. Uma boa amizade. - Comemos sorvete de casquinha com a mesma colher, Pa-ô-la. - E daí? - Em certas sociedades primitivas, comer sorvete de casquinha com a mesma colher vale mais do que pacto de sangue. - Não vem. - E o que você diz quando você está tendo um... - Eu sei o que eu digo! - “Dan, Danzinho, amor, vida, paixão.” - É a emoção, ora. Nessas horas a gente diz qualquer coisa. Uma amiga minha grita o nome de todos os apóstolos. E você, que quando me vê só falta chorar? Mesmo que a gente tenha dormido junto na noite anterior. Oito horas sem me ver e faz um escândalo. - Mas eu estou tendo um caso com você. Um caso muito bonito. Pena que você não esteja participando dele. - Não vem, Dan. - Não. Tudo bem. Somos apenas bons amigos. Onde está escrito “Dan, Danzinho, amor, vida, paixão”, leia-se “Ai que bom”. - Está certo. Não é amizade. Mas não é caso. - Romance. - Também não. - Um espasmo. Um descontrole hormonal. - Pára. - Uma história. - Isso. Uma história. Está rolando uma história entre nós. - Que tipo de história? - Como, que tipo? - Cômica, séria, trágica... Acaba como? - E eu sei? - Só pra minha orientação. - Por que isto, de repente? Por que esta preocupação? Estamos tendo um ca... uma história legal, sem grilo... - Mas nós não sabemos o que é. Você não tem necessidade de saber o que está acontecendo com você? - Pra quê? Deixa acontecer. - Imagina se esta história acaba num crime. Tudo que está acontecendo agora ganha outro significado. Nós podemos estar vivendo o prólogo de uma tragédia sem saber. Se a gente soubesse o que é, e como acaba... - Ah, é? Se eu soubesse que você ia me matar no fim, sabe o que eu fazia? Matava você agora. Rá, rá. Mudava o fim. - Exatamente! Nós precisamos saber o que está nos acontecendo para agir conscientemente, para aproveitar melhor a história e até mudá-la. - E, mesmo, você é incapaz de matar uma mosca. - Mas você não me viu com mosquitos. - Quer saber de uma coisa? - Uma vez, quando eu era guri, desmembrei uma formiga. Você não me conhece. - Me ouve. - E se esta história acaba em casamento? Filhos, essas coisas. Hein? E se acaba em almoços de Domingo e planos de saúde? Nós precisamos saber no que estamos nos metendo! - Sabe que eu acho que vou mesmo matar você? Assim você fica sabendo o fim e pára de chatear. - Pa-ô-la... - Taí. É um conto. - Um conto?! - Daqueles que começa no meio de um diálogo, não acontece nada e termina no ar. Ninguém fica sabendo o que vai acontecer depois. - Não faz isso comigo, Pa-ô-la. - Com um título que não tem nada a ver com nada. - Um conto, Pa-ô-la? Isto é só um conto? Um naco de história? Um diálogo perdido? Um...
Escrito por hkotsubo às 18h41
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O testador testado ou A esperteza inútil
À maneira dos... tailandeses
Milionário muito milionário gostava de gozar as pessoas com defeitos físicos ou características inferiorizantes.
Um dia, entre os convidados a uma recepção em sua casa, tinha um gago, e, na frente de outros convidados o milionário resolveu embananá-Io com um problema existencial.
Transcrevemos o diálogo: - Suponhamos que você vai andando por uma picada no mato e de repente cai num buraco de dois metros de largo por vinte de fundo. Como é que você consegue sair? - O bu-bu-raa-co tem uuma es-es-caada? - Não, não tem nada. É um buracão natural. - Eeessa su-ua-ua hi-hi-póóó-tese é de nooi-te ou dee dia? - Não importa. A questão é como é que você sai do buraco. Noite ou dia é indiferente. - Bom, en-tããoo eu faa-ço a is his-tóória seer de diia e não ca-caio no bu-bu-raco. - Como assim? Tem que cair. Eu te joguei no buraco. - Nãão see-nhor. Eu não ca-caio. Você pooode me go-gozar poorque eu sou ga-ga-go, mas nããão voou ca-ir nuuum bu-bu- raco de dia poorque não soou ce-ce-go, iiim-bee-cil.
Todo o pessoal em volta caiu na gargalhada.
MORAL: MAS O PESSOAL RIU MAIS PORQUE ELE ERA GAGO.
(Millor Fernandes)
Escrito por hkotsubo às 21h29
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A verdade
Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho, deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu o seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margarida. O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse: - Agora me lembro, não era um homem, eram dois. E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem, e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. E a donzela disse: - Então está com o terceiro! Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram, e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela. - Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo, e a deixou desfalecida - gritaram os aldeões. - Matem-no! - Esperem! - gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. - Eu não roubei o anel. Foi ela quem me deu! E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos. O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo "Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor". E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra. Todos se viraram contra a donzela e gritaram: "Rameira! Impura! Diaba!" e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço. Antes de morrer, a donzela disse para o pescador: - A sua mentira era maior que a minha. Eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade? O pescador deu de ombros e disse: - A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador.
(Luís Fernando Veríssimo)
Escrito por hkotsubo às 19h36
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Poesia Matemática
Às folhas tantas do livro matemático um Quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a, do Ápice à Base, uma figura ímpar: olhos rombóides, boca trapezóide, corpo octogonal, seios esferóides. Fez da sua uma vida paralela à dela até que se encontraram no infinito. "Quem és tu?", indagou ele em ânsia radical. "Sou a soma do quadrado dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa." E de falarem descobriram que eram (o que em aritmética corresponde a almas irmãs) primos entre si. E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz numa sexta potenciação traçando ao sabor do momento e da paixão retas, curvas, círculos e linhas sinoidais nos jardins da quarta dimensão. Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exegetas do Universo Finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. E enfim resolveram se casar, constituir um lar, mais que um lar, um perpendicular. Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissetriz. E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro sonhando com uma felicidade integral e diferencial. E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos. E foram felizes até aquele dia em que tudo vira afinal monotonia. Foi então que surgiu O Máximo Divisor Comum Freqüentador de círculos concêntricos, viciosos. Ofereceu-lhe, a ela, uma grandeza absoluta e reduziu-a a um denominador comum. Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade. Era o triângulo, Tanto chamado amoroso. Desse problema ela era uma fração, a mais ordinária. Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade e tudo que era espúrio passou a ser moralidade como aliás em qualquer sociedade.
-- Millor Fernandes
Escrito por hkotsubo às 20h04
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Seios
Para não dizerem que eu só escrevo sobre frivolidades como a situação internacional e as últimas razões da existência, hoje vou tratar de um assunto sério: o seio.
Para começar, por que existe o seio? Ele não está presente, ao menos não com a mesma, assim, proeminência, nos primatas que nos antecederam. É mesmo difícil lembrar outro animal que tenha seio. Quem disse "Vaca!" estava obviamente tentando tumultuar. Retire-se da sala imediatamente.
Especula-se que, quando nossos antepassados - ou, no caso, antepassadas - começaram a andar sobre dois pés na savana primeva, sacrificaram seu principal atrativo para os machos da sua espécie, que já naquele tempo (pelo menos os brasileiros) só pensavam nisso: a bunda empinada. A frente, e não mais as costas, da pré-mulher passou a concentrar todos os seus chamarizes sexuais quando ela virou bípede. Era preciso ter um equivalente da bunda na frente e por isso nasceram os seios. Eles seriam uma bunda que subiu na vida. A teoria não é minha, portanto não aceito protestos.
Outra teoria atribui o desenvolvimento de nádegas frontais ao fato de nossas antepassadas, ao deixarem a fase macaca mas ainda muito longe de chegarem à fase Gisele Bündchen, terem perdido grande parte do cabelo do corpo. Ou seja: quando o bebê ia mamar na mãe, não tinha mais - epa, opa - onde se segurar. Os seios vieram para dar aos bebês o que agarrar, ou no mínimo uma sensação de apoio e tranqüilidade, imprescindível na hora das refeições.
Pois é falsa a idéia de que o tamanho dos seios tenha algo a ver com a quantidade de leite da mãe. O leite está presente nas lactantes independentemente do seu equipamento mamário, e para o aleitamento bastam os mamilos. Os seios existiriam, assim, por razões estéticas, sexuais e práticas (o conforto de bebês inseguros e, claro, de adultos com a mesma carência) e para dar dinheiro a cirurgiões plásticos e fabricantes de silicone. O aleitamento seria uma função secundária.
Não sei se você já se deu conta de que o leite materno é o único alimento produzido pela natureza exclusivamente para a gente. Todos os outros estão na Terra para serem compartilhados com outras espécies, inclusive o leite materno de outras espécies. Há, claro, alimentos feitos ou descobertos pelo homem que nenhum outro animal come, como o caviar - ou, pensando bem, a lesma, que só deve ser comida por outras lesmas, e assim mesmo figurativamente. Mas original e exclusivo, só o leite da mãe. Que, mal-agradecidos, tomamos por pouco tempo e logo abandonamos. Em outro escandaloso exemplo de desperdício de recursos naturais.
(Luis Fernando Verissimo)
ps: esse é dele mesmo, hehe..
Escrito por hkotsubo às 21h30
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Hipocondriaco
Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio.
Eu tomo um remédio para controlar a pressão.
Cada dia que eu vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o preção. Tô sofrendo de preção alto.
O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais. Controlei também a alimentação. Como a única coisa que tenho comido, depois do Fome Zero, é minha patroa, não tem perigo: Ela é a coisinha mais sem sal deste lado do mundo.
Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico. Sério! Não sei mais o que é real. Principalmente quando abro a carteira ou pego extrato no banco. Não tem mais um real.
Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas: Sabe aquele carro? Esquece! Aquela viagem? Esquece! Tudo o que o barbudo prometeu? Esquece!
Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time: nas últimas.
Bem, carioca é assim mesmo, já nem liga mais para bala perdida. Entra por um ouvido e sai pelo outro...
(Luiz Fernando Verissimo)
ps: bom, na verdade nem sei se o texto é mesmo dele. É que eu recebi por email e estava assinado. Mas cuidado pq tem muitos textos na net que não são dele, apesar de colocarem que são.
Escrito por hkotsubo às 18h23
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Descobri!!!
Por que os Estados Unidos vivem sempre em guerra
(Millor Fernandes)
Bem, os Estados Unidos vivem sempre em guerra porque Nova York é
uma cidade de dezoito milhões de habitantes. Há na cidade um telefone
para cada dois habitantes. Isso faz nove milhões de telefones. Cada
assinante de telefone recebe, anualmente, três catálogos telefônicos -
um comercial, um nominal e um de endereços, ou seja, 27 milhões de
catálogos, grossíssimos. A solução foi encontrada há muitos anos: os
Estados Unidos entram numa guerra, ganham a guerra (os Estados Unidos
ganham todas as guerras) e, quando os heróis voltam, o povo, entusiasmado,
rasga os catálogos em pedacinhos e atira os pedacinhos pelas janelas,
em cima dos heróis.
Escrito por hkotsubo às 12h13
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Pra que pressa?
Ja vou avisando que vou atualizar isso aqui bem de vez em quando.
Segue um texto que tem um pouco a ver (mas nao muito):
O Caracol e a Pitanga
(Millor Fernandes)
Há dois dias o caracol galgava lentamente o tronco da pitangueira, subindo e parando,
parando e subindo. Quarenta e oito horas de esforço tranqüilo, de caminhar quase filosófico.
De repente, enquanto ele fazia mais um movimento para avançar, desceu pelo tronco,
apressadamente, no seu passo fustigado e ágil, uma formiga-maluca, dessas que vão e
vêm mais rápidas que coelho em desenho animado. Parou um instantinho, olhou zombeteira
o caracol e disse: "Volta, volta, velho! Que é que você vai fazer lá em cima? Não é
tempo de pitanga". "Vou indo, vou indo"- respondeu calmamente o caracol. - "quando
eu chegar lá em cima vai ser tempo de pitanga".
MORAL: NO BRASIL NÃO HÁ PRESSA!
Escrito por hkotsubo às 17h58
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